Alcolumbre decide não receber Messias e influência dele deve definir destino de indicação ao STF
Body
A articulação política em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) entrou em uma fase decisiva no Senado, com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), adotando uma postura de cautela que pode ser determinante para o resultado da votação. Segundo relatos de aliados, Alcolumbre afirmou que não pretende receber Messias neste momento para “manter neutralidade”. Nos bastidores, a avaliação é que um encontro agora poderia ser interpretado como sinal de apoio à indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Indicação de Messias ao STF avança no Senado com parecer favorável Governo vê base insuficiente De acordo com líderes e ministros, o governo trabalha atualmente com um cenário apertado no Senado. A contabilidade indica: 25 senadores considerados votos fiéis a Messias 35 senadores que já declararam ser contrários à indicação 21 senadores indecisos, que devem definir o resultado Entre os indecisos, de 12 a 15 parlamentares fazem parte do grupo mais próximo de Alcolumbre e aguardam uma orientação direta do senador. Influência de Alcolumbre Apesar de afirmar publicamente que não atua nem a favor nem contra o nome indicado, Alcolumbre tem lembrado a interlocutores que já havia alertado Lula, no momento da indicação, sobre a resistência que Messias enfrentaria no Senado. A expectativa é que ele sinalize sua posição entre hoje e amanhã, o que pode influenciar diretamente os votos do chamado “centrão”. O clima no governo também mudou nos últimos dias. Se antes a projeção era de ao menos 46 votos favoráveis, agora o número caiu para cerca de 44 apoios, segundo aliados do presidente do Senado. Nos bastidores, a leitura é que a semana começou de forma negativa para Messias, com sinais de insegurança política e tentativas de intensificar a agenda de articulação, incluindo uma aproximação com Alcolumbre. Jorge Messias e David Alcolumbre Wilton Junior/Estadão Conteúdo; Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo Negociação com emendas O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE) — ex-líder do governo na Câmara, entrou em campo para tentar reverter o cenário. Ele negocia o empenho de emendas parlamentares como forma de atrair votos. Como o g1 publicou, governo empenhou R$ 12 bilhões em emendas em abril, às vésperas da sabatina de Messias. 🔎Empenhar uma emenda significa que o governo separou esse montante para o pagamento, se comprometendo a liberar o recurso. No entanto, senadores têm demonstrado resistência. O motivo é a desconfiança gerada após a votação que aprovou Flávio Dino para o STF, quando, segundo relatos, o governo empenhou emendas, mas não efetivou os pagamentos. Nesse contexto, parlamentares afirmam que só aceitariam fechar acordos com o aval de Alcolumbre, visto como um “fiador” político capaz de garantir o cumprimento dos compromissos.